terça-feira, 10 de março de 2015

Abrigo / Visita



Olá, hoje vim contar uma difícil experiência que eu e meu esposo vivemos semana passada, ligaram do Fórum nos convidando para visitar um abrigo e neste abrigo teria criança maiores, e que já estão para adoção, de coração aberto aceitamos ir para essa visita.
Esperamos por 5 dias, chegando lá nossa primeira surpresa foi o número de casais, fora nós, tinha uns 06 casais, era uma casa comum, isso é nem tão comum. Em Itu existem 03 C.E.A.C.A - Centro de Atendimento a Criança e ao Adolescente, ou seja 03 abrigos, fora o que já tem, no qual é enorme, foram alugada duas casas e dividiram as crianças...Continuando, nossa segunda surpresa foi que eram 08 crianças, todas maiores de 4 anos e no máximo 12 anos,  entre elas 05 irmãos, mais 02 irmãos, e apenas 01 que não tinha irmão, era o mais velho de todos, tinha 17 anos. Foi uma situação difícil para nós, eu não relaxei nenhum momento, conversei com eles, sentamos juntos, o  Ricardo até brincou de carrinho com alguns, mas.....
Algo muito mau organizado, com muita gente, sem uma conversa antes e nem depois,a justiça ainda mais lenta, não estão preparados para o novo, pois foi a primeira vez que a juíza de Itu deu permissão para casais conhecer criança que já estão para adoção.
Sei que vocês devem estar perguntando e ai??...Nós também estamos fazendo a mesma pegunta..... kkkkk,...ainda não entraram em contato novamente, na saída também não falaram nada.
Ahhh...gostamos do Gabriel, ele deve ter uns 9 anos, e na saída ele fala para meu esposo "Me leve tio".
Agora é esperar, esperar e espera na fé, e ver o que Deus prepara.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Tempo



Ola, faz tempo que não faço postagem, na verdade com o passar do tempo me pergunto, escrever o que? não tem novidades, nada de novo acontece em relação a nossa adoção.
E este ano em especial o tempo corre contra nós, vou explicar melhor, quando nós fizemos o processo as profissionais do fórum deixou bem claro uma coisa, se fizer 2 anos na fila e seu filho não chegar, vocês terram que fazer o processo tudo de novo, naquele momento  nos olhamos e nada dissemos, ai saímos  do fórum e falamos quase juntos, de novo não, sei que todos concordo que este processo é longo e desgastante, e tem gente que acha desnecessário, imagina passar por isso 2 vezes, isso se chama justiça certo? mais ou menos, acredito eu que se fosse justiça, já estaríamos com nosso filho, mas a burrocracia é assim mesmo.
Por isso que falo que o tempo corre contra nós, pois em 23 de dezembro deste ano, ira fazer 2 anos que estamos na fila, é torcer e orar, para ele chegar.
Falei com meu esposo para entramos em contato com o fórum e aumentar a idade máxima para 5 anos, e não 4 anos como foi pedido, pois tenho esperança de aumentar a chance, mesmo sendo apenas 1 ano a mais, ele disse que vai pensar, não tive uma resposta ainda, se ele disser sim, ligarei lá, quem sabe com esta atitude elas lembra que estamos na fila.
até

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Teu filho meu

        
 


         Ultima postagem do ano, mas um ano que oramos para nosso filho que vai passar mais um natal sem os seus pais, ele e tantos mais, natal é família, ai penso, e os que se encontro nós abrigos, alguns tem as sorte de ir para famílias que os acolhe neste período, mas acredito que não seja privilegio de todos, hoje faz exato 1 anos que a juíza assinou o ok para nosso adoção, 1 ano, e o que pensar? a justiça é lenta? o tempo é exato este? ano que vem vou ter que pensar as mesmas coisas?, as famosas perguntas sem resposta.
        Quero desejar a todos um feliz natal, e um 2015 de benções!, e vou deixar abaixo um lindo depoimento que copia de um atriz, achei comovente, ai resolvi dividir com vocês.
       
        Titulo: Teu filho meu



        Depois de anos a fio tentando engravidar, tratamentos sofisticadíssimos e muito medo de encarar a vida de frente, Catarina tomou coragem, olhou nos olhos de seu velho amado e fez a pergunta:
- Vamos adotar uma criança?
Ele nunca tinha tocado em tal possibilidade. Eles se amavam muito, eram cúmplices, mas esse terreno parecia minado. O número de investidas em tratamentos, com tantas esperanças esvaídas em sangue, já parecia ser em si um não à pergunta secreta que ela nunca permitiu que lhe saísse da garganta. Mas os anos estavam passando e Catarina não quis mais deixar a vida passar. Falou. Forte e lúcida.
A pergunta estalou no ar e, ao ouvi-la, ele chorou. Também ele nunca teve coragem de perguntar o que ela não tinha coragem de perguntar. Simples assim. Absurdo assim. E ao ouvir em voz alta a pergunta secreta, a vida se abriu em possibilidades. Voltaram a fazer amor sem resquícios científicos, esperando o bebê chegar. Tiago chegou um ano depois, já menino. Um lindo molequinho negro de 3 anos de idade. Foram para as cabeças sem exigir nada. Se inscreveram na universidade do amor e esperaram seu filho sem medo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

mercantilização infantil

                                       









Vamos lá vou gastar minha vã filosofia para produzir uma breve reflexão sobre mercantilização infantil. Tenho vagas lembranças dos brinquedos, das roupas, ou tênis que tive na infância, não foram muitos com certeza não houve festas, nem por isso fui menos feliz.
Lembro muito bem de brincar com latas de sardinha para cavoucar na terra do quintal de casa, de passar tardes batendo martelo pra construir carrinho de quatro rodas, ou de caçar vaga-lumes no potreiro à noite, a saudade que tenho desse tempo é de não ter preocupação ou valoração alguma.
Não tenho estatísticas nem explicações mercadológicas ou sociológicas para o fenômeno da mercantilização infantil, mas percebo que há a construção de sonhos voláteis nas crianças e em seus pais que se materializam de acordo com a grana investida. Há proliferação de bufês infantis que custam uma fábula para a realização de uma festa, equipes de decoração uma verdadeira indústria que produz desejos e os vende. Com o advento das redes sociais e do exibicionismo há maior facilidade de acesso  ás mega produções infantis. Às vezes percebo que a realização dos pais é maior do que da criança que na grande maioria das vezes se preocupa em brincar em se despreocupar de tirar fotos e de soprar as velinhas. A indústria midiática fabrica sonhos produz desejos com a intenção justamente de vendê-los, isso mesmo de vendê-los, pois o que se quer no fundo é a obtenção de lucro, além disso, vejo também uma excessiva adultização das crianças, meninas e meninos com maquiagem unhas pintadas e roupas de adulto. Em tempos de Natal tudo isso se intensifica, uma festa cristã que marca o nascimento do messias  que  na grande maioria das vezes é deixado de lado em detrimento do abuso mercadológico que entra em nossas casas todos os dias, trocar presentes é muito bacana mas o que percebo é que essa data é na realidade manipulada pelo mercado para a obtenção de lucro.

Isso revela a mercantilização das nossas relações sociais, exprime uma máxima de que nossos sonhos podem ser comprados, desvaloriza nossa humanidade nos torna cada vez mais dependentes de coisas e menos afetuosos. Não abomino a mercantilização vivemos em um mundo capitalista, acredito que junto com tudo isso deve vir uma educação emancipatória por parte da humanidade para produzir uma melhor relação com o mundo e com os outros, e deixar a crianças serem simplesmente crianças.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Novela



Ola,há alguns anos vemos novelas abordarem o tema: adoção, sempre de uma maneira discreta, a partir de 2012 este tema ganhou destaque nas novelas globais, primeiro foi na  novela Avenida Brasil, no qual se buscava filho no lixão, algo meio confuso, não entendia  aquele tipo de adoção, depois veio balançar este tema a novela  Salve Jorge, não era uma adoção legal, e sim a compra de uma filha, Berna uma mulher rica, que caiu nas mãos de pessoas que faziam tráfico humano,  criou muita polemica, muita gente não sabia que existia este tipo de trafico, sinceramente, nem eu sabia, no final a filha Aisha  conheceu a mãe biológica, a  mãe adotiva foi perdoada , todos viram  como é desespero de uma mãe, logo na sequencia na novela Amor a Vida, o Niko adotou o Jayminho, foi de uma forma legal, mas  surreal, pois foi pratica, rápida, sem fórum,  sem entrevista, sem visita, sem passar por psicólogo,sem fila nacional, ele foi e escolheu, ah se fosse assim.
Outra exemplo inesquecível é o André na novela Em Família,  que foi adotado pela Dulce, uma mãe maravilhosa, e ele um playboy, que tinha vergonha da mãe, e o autor tristemente colocava fala em um amiga de André, que dizia que era triste não saber quem era a mãe e o pai, será que este escritor não sabe que o significado de mãe, que  é amor, cuidado, atenção, carinho e educação, e quem deu isso para o playboy, foi a mãe Dulce.
E agora esta no ar a novela Auto Astral, que tem 2 filhos adotados Marcos e Caique, filhos de Maria Ines, e mais uma vez, uma família rica, no qual os dois irmãos são rivais, na verdade criado como irmãos, e um jogo na cara do outro que não tem o mesmo sangue.
Nenhuma das novelas mostrou a adoção que vivemos na pele, nem uma novela mostrou que pobre também adota, que a dificuldade existe, que a espera existe, que a ansiedade faz parte, que a justiça é lenta,  nenhuma novela trabalhou a nosso favor, nem uma levantou a bandeira, para que a adoção possa mudar, que possa ser mais rápida, é isso que as criança e casais que esperam a adoção merecem, algo transparente.
Minha opinião sobre a forma como o tema adoção é abordada nas novelas é um grão de areia na praia, mas não poderia deixar de expô-la. Desejo que famílias que planejam entrar com pedido de adoção, pais e filhos do coração, saibam que a história retratada no horário nobre é minoria. Se você dá amor, recebe amor, seja você nascido da barriga  ou do coração.
Até

domingo, 12 de outubro de 2014

Adoção real

Meu nome é Leticia, tenho 40 anos e estou feliz em poder compartilhar esta experiência tão maravilhosa com vocês. Sou casada há 22 anos e desde que namorava meu marido compartilhava com ele o desejo de adotar, dizia assim a ele: "Quero adotar uma criança que ninguém quer", me referia a adoção tardia, gostaria que fosse mais velho, não sabia até então se poderia gerar filhos, nos casamos em 1992 fui agraciada por Deus por 3 filhos maravilhosos, temos um rapaz com 20 anos, outro com 17, e uma garota linda com 14 anos, conheci minha filha adotiva a mais ou menos 7 anos atrás, ela estudava na mesma sala da minha filha, são amigas desde a 3° série, elas tem a mesma idade, amei ela desde o primeiro  dia que a vi, meu marido não se envolveu a princípio, pelo motivo de termos 3 filhos e não termos uma condição financeira para mais um filho. Sempre orava para Deus tocar no coração do meu marido, porque no meu coração sentia que ela era a pessoa por quem esperei desde os meus 13 anos de idade, parece loucura! Mas quando é da vontade de Deus Ele move céus e terra e nos dá a vitória. Enquanto isso ela fazia visita a outras famílias que se interessavam em fazer uma convivência com ela, ela nunca soube do meu interesse, para que não tivesse expectativas, não poderia adota-la sem o consentimento do meu marido, um dia minha filha Nathalia chegou em casa falando que a Ketilyn não queria mais fazer convivência com a família que ela estava visitando, fiquei muito triste porque nesta época já orava para que Deus a colocasse numa família que a amasse como eu amava, comecei a chorar enquanto fazia o jantar, não entendia o porque de tudo aquilo e perguntava pra Deus naquela hora: "Porque O Senhor não coloca este amor que sinto pela Ketilyn no coração do meu marido? Porque ela já visitou tantas famílias e não deu certo com nenhuma?  Porque?". Subi em cima de casa onde meu marido estava trabalhando e fiz todas estas perguntas a ele chorando desesperada, ele não me respondeu nada, apenas me ouviu calado, era uma segunda-feira dia 21/05/2012, desci para casa, acabei de fazer o jantar, fui dormir chorando, passei aquela semana muito mal. Quando chegou a sexta-feira dia 25/05/2012 (posso dizer que foi um dos dias mais marcantes da minha vida), meu marido me fez a seguinte pergunta: "Vamos ao abrigo falar sobre a Ketilyn?”, quanta felicidade senti naquele momento! Mais que depressa fomos ao abrigo, quando ali chegamos fomos recebidos com a seguinte frase: "Foi Deus que mandou vocês aqui!". A diretora do abrigo começou a nos contar que havia tido uma conversa com Ketilyn , e gostaria de saber o motivo pela qual ela não adaptara a nenhum dos lares que ela visitava, sendo que era muito querida por todos, e que eles poderiam dar a ela tudo o que ela precisava, e foi surpreendida com a seguinte resposta: "Eles podem me dar de tudo, mas quando vou ter uma família?". Ela não estava interessada no que poderia ganhar, ela queria de verdade ter uma família! Então a diretora a perguntou: "Dentre as famílias que você conhece existe alguma a qual você gostaria de pertencer? Alguma que você olhe e diz: eu queria ser desta família?". Ela respondeu: "Existe sim tia, gostaria de ser da família da Nathalia.". A diretora do abrigo ficou surpresa, porque ela sabia do meu interesse pela Ketilyn mas não sabia do dela por nós, nesta hora meu marido chorava muito e eu também. Fiquei muito feliz com o relato da diretora, tudo estava se encaixando como um quebra-cabeça, o quebra-cabeça da minha vida, a diretora disse a nós: "Não são vocês que a escolheram, ela foi quem escolheu a vocês!". Neste dia demos início ao processo de adoção, alguns finais de semana após ela visitava nossa casa para passar os fins de semana, pegávamos ela na sexta e levávamos de volta no domingo, nós 5 sofríamos  por deixa-lá. Até que em 28/08/2012 obtivemos a guarda e demos continuidade ao processo de adoção definitiva, Desde o fim de Agosto de 2012 temos vivido esta experiência maravilhosa, foi tudo tão natural, ela se sentia membro da família, mas confesso que para mim e meu marido parece que ela mora conosco desde sempre é uma sensação mágica. Hoje somos uma família com 6 membros, tivemos nossas dificuldades como por exemplo andávamos em 6 num único veículo (será que poderia contar isso? É ilegal kkk). Deus tem suprido todas as nossas necessidades, somos felizes, nos amamos! Meus filhos adotaram a Ketilyn conosco, eles a amam demais! O que achei lindo é ver minha filha Nathalia que até então era a única princesa da casa, dividir tudo o que ela tinha com a irmã, se eu podia comprar duas blusinhas pra ela, agora compro uma pra cada uma, ela dividiu tudo mesmo, os irmãos, os tios, os avós, e todos a acolheram com muito carinho.>Bem, não precisamos de riquezas, de bens materiais, o que vamos levar dessa vida?Quando amamos com amor verdadeiro, temos tudo, por isso me sinto abençoada com a minha família. Digo para a Kety que ela nasceu do meu coração, uma gestação que durou mais ou menos 5 anos, mas ela nasceu. Quando penso que existem tantas crianças, adolescentes, e até jovens com a mesma situação que a minha filha se encontrava me entristeço, existem famílias que poderiam amá-las, acolhe-las, oro por eles sempre. Tenho esperança que esta matéria seja um canal de benção a todos os leitores e que as pessoas abram os corações para quem sabe tomarem uma atitude. Bem, não quero dizer com isso que eles sofram nos abrigos, minha filha foi muito bem cuidada e amada, agradeço a Deus por todos que cuidaram dela até a gente chegar, mas acho lindo ela dizer "MINHA CASA", já se sentindo a dona do pedaço! Kkk, por mais que eles trate bem, todos querem uma família. Nosso processo de adoção se encerrou em 12/09/2014, nesta data peguei a certidão de nascimento da minha filha com o  nosso sobrenome, e neste dia ela começou a nós chamamos de pai e mãe, ouvir isso foi divino. bíblia diz que os filhos são herança do Senhor, eu e meu marido nos sentimos felizes por Deus nos ter confiado 4 heranças tão maravilhosas! Agradeço a oportunidade de testemunhar o que Deus fez na nossa família, creia o seu milagre vai chegar no tempo certo, no tempo de Deus!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Longevidade e afetividade


Nas reuniões de família vejo meu sogro falando sobre a ausência de filhos que se fazem presentes se questionando: imagina se não tivesse pelo menos seis filhos! Sim ele teve seis filhos em um tempo diferente, com mentalidades diferentes, relações econômicas e sociais diferentes.
Hoje as famílias são menores, se organizam de maneira diferenciada, no entanto, percebo um discurso, ou uma preocupação comum, a necessidade de possuir um filho para que na longevidade não esteja sozinho e desamparado, sim possuir um filho, pois arquitetar uma relação afetiva desse tipo é pensar de maneira possessiva e individualista, pessoas não são objetos que consumimos, e depois descartamos, não somos donos de ninguém a afetividade deve ser construída todos os dias. Há que se pensar que filhos não são feitos para cuidar dos pais no futuro, essa não pode ser a principal motivação para uma gravidez ou para uma adoção. O cuidado na longevidade se constrói na cultura, cristaliza um ato de amor lindo, mas que não deve ser a principal preocupação na hora da adoção.

Trabalhei em asilos estatais e privados, vi e refleti sobre as condições em que os idosos viviam, ouvi muitas histórias, nossa expectativa de vida esta aumentando como nunca o que exige que nos coloquemos a pensar e discutir sobre isso, no entanto, uma ideia é clara, ter um filho ou adotar não pode ser entendido como um mecanismo para fazer caridade ou muito menos receber caridade, não é um negócio muito menos uma troca, a adoção antes de mais nada deve ser um ato de amor e doação.